O Diário de Bordo do projeto PRISM: ID 2025-1-IE01-KA151-YOU-000298136.
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No dia 06 de julho partimos do aeroporto do Porto com destino a Barcelona. Almoçamos no aeroporto em conjunto, partindo depois para a estação de metro onde nos dirigimos, primeiramente, para Torrassa, e depois para Arc de Triomf. Chegados ao destino apanhamos o autocarro para La Seu d’Urgell, na Estación du Nord. Quando chegamos a La Seu, fomos bem recebidos pelo Joel que nos guiou até ao hostel onde ficamos alojados. No tempo livre percorremos a cidade, e aproveitamos para conviver com os participantes de outros países. Depois do jantar terminamos o dia com um jogo de cartas lituano. Este dia foi ótimo para a equipa portuguesa conhecer-se melhor e estabelecer os primeiros contactos com os restantes participantes.
No dia 7 de julho, após o pequeno almoço, ouvimos alguns dos organizadores a introduzir o tema e a explicar o que iríamos fazer durante os próximos dias. Logo a seguir, cada um escreveu as suas metas e expectativas para o projeto, assim como os desafios que achavam que iam enfrentar, o que foi uma ótima maneira de expressar os nossos sentimentos. Ainda durante a manhã, tivemos uma atividade que consistia em escrever 3 perguntas diferentes para fazer a várias pessoas. Além disso, fomos conhecer alguns pontos da cidade. Depois do almoço, fomos até à biblioteca local fazer algumas atividades de grupo. No final da tarde, vimos a primeira apresentação, realizada pela equipa da Catalunha. Assim, este dia foi ótimo para conhecer os participantes do projeto e a cidade La Seu D’Urgell.
No dia 8 de julho de 2025, depois do pequeno-almoço, começámos o dia com um energizer, onde aprendemos uma dança tradicional irlandesa. Foi uma forma divertida e leve de ativar o corpo logo pela manhã. De seguida, fomos para um parque participar no workshop “Embody the Site”, com a Serena Giodarnengo como facilitadora. Gostamos muito desta proposta porque levou-nos a sair da cabeça e a entrar no corpo, usando o espaço como fonte de inspiração. Explorámos como diferentes lugares podem transformar o significado do movimento ou de um simples gesto. Usámos o corpo e os sentidos como instrumentos de escuta e resposta ao lugar, o que me fez olhar para o ambiente à minha volta com mais atenção e sensibilidade. Trabalhámos também com o posicionamento e a proximidade do público, o que levantou questões interessantes sobre como a presença de alguém altera o que estamos a comunicar. Depois do almoço dividimo-nos por grupos. A Beatriz e o Daniel participaram no workshop do Makis Nanos, da Crooked House Theatre Company, enquanto a Ana, o Ricardo e o Luís participaram no grupo da Danae Playan. Durante a tarde trabalhámos com ferramentas do teatro físico e dos estudos do movimento, num ambiente muito livre e sem julgamentos. Fomos desafiados a jogar, explorar e descobrir como o nosso corpo pode exprimir diferentes partes de nós, sem restrições nem “deveres”. Os exercícios em grupo criaram uma forte sensação de confiança e conexão e foi libertador poder experimentar sem ter medo de errar. Mais tarde assistimos à apresentação do grupo da Irlanda, que estavam a preparar há algum tempo. Foi uma performance muito autêntica, a forma como expressaram as suas opiniões foi clara e original. Notou-se que investiram tempo e coração no que fizeram. Fizemos ainda um mood check, onde usámos filas e o espaço para representar como cada um se sentia. Foi uma forma simples mas eficaz de partilhar o nosso estado de espírito. Depois do jantar, tivemos um momento de convívio e socializámos com participantes de várias nacionalidades. Estes momentos informais são tão importantes como os workshops, porque ajudam-nos a criar laços e a sentir que fazemos parte de algo maior. Foi um dia cansativo, o primeiro com atividades “a sério”, mas também profundamente enriquecedor e divertido. Começamos a sair da minha zona de conforto e isso é sempre um bom sinal.
Começámos o dia 09 de julho por facilitar uma pequena sessão de esclarecimento ao grupo sobre os termos bases do projeto, apoiando-nos na figura do “Genderbread Person”. De seguida, organizamos o Energizer, ensinando o grupo a dançar “Kuduro”. Depois dirigimo-nos ao Centre Cultural Les Monges, onde se sucedeu o workshop “Make your body your second voice”. Regressamos ao hostel para almoçar e fomos divididos de acordo com os devising groups que escolhemos, assim como tinha acontecido no dia anterior. Ao final do dia, assistimos à apresentação do grupo alemão e por fim jantámos.
Começámos este 10 de julho dia ao tomar o pequeno almoço, e depois, segundo as inscrições nas atividades, os participantes partiram para o rafting ou para o kayaking, onde sentiu-se uma grande mistura de emoções. Na primeira volta do rafting, a nossa team leader Mariana levou com um remo no nariz e começou a sangrar intensamente, mas no final ficou tudo bem e conseguimos aproveitar a experiência. Por outro lado, o kayaking foi uma atividade tranquila. À tarde algumas pessoas foram à piscina e outras foram ao hiking. Toda a equipa portuguesa escolheu ir à piscina, então aproveitamos para relaxar e conviver uns com os outros. Já o hiking foi muito cansativo uma vez que os participantes andaram muitos quilómetros.
Para finalizar o dia, fizemos a nossa apresentação, que consistiu num kahoot e num vídeo sobre Portugal, o que correu bastante bem e rendeu várias gargalhadas.
No dia 11, sexta-feira, começamos com uns energizers preparados pela equipa alemã. Depois, tivemos um workshop com a facilitadora Lore Schilberg, chamado “The Mixing Board”. Mais tarde, voltamos ao hostel e fomos almoçar. De seguida, continuamos a trabalhar com a facilitadora Danae, praticando poses e algumas estratégias para a apresentação de sábado. À noite, assistimos à apresentação da equipa da Lituânia, que nos ofereceu sobremesas típicas do país depois do jantar.
O último dia, 12 de julho, foi o mais frio de toda a semana, sendo que choveu e trovejou muito e até recebemos avisos de perigo de inundações. No entanto, não fomos impedidos de começar a manhã com o energizer da equipa da Catalunha, que consistiu essencialmente numa dança popular muito divertida. Já mais animados, os participantes foram finalizando e aperfeiçoando as performances que preparam ao longo da semana durante o resto da manhã. Após isso, dirigiram-se todos ao hostel para um último almoço em conjunto. Uma vez que um dos participantes fazia anos, aproveitamos o tempo livre a seguir à refeição para festejar com ele. À tarde, cada grupo continuou a ensaiar as suas peças, tendo direito a um descanso merecido a meio, para às 19h iniciarem a apresentação das mesmas. Cada uma das performances explorou diferentes conceitos relacionados com os temas do projeto, nomeadamente, o espetro do género, as nuances dos termos “masculinadade” e “feminilidade” e também os estereótipos e padrões impostos pela sociedade. Todas as três peças foram muito interessantes e levaram a que o público interpretasse cada momento à sua maneira, o que abriu espaço para discussões interessantes no fim de cada performance. A seguir fomos jantar e, depois, decidimos ir dar uma última volta pela cidade com alguns participantes da Alemanha, da Lituânia e da Irlanda. Apesar de ter sido um dia cansativo e com alguns desafios, não podíamos ter-nos despedido de La Seu D’Urgell de uma forma melhor que esta.
13 de julho, acaba esta aventura. Iniciámos o nosso regresso bastante cedo, tendo em conta que o nosso autocarro em direção a Barcelona partia às 6h30 da manhã. Ainda um pouco sonolentos, fizemos as últimas despedidas e partimos em direção ao Terminal de Autocarros de La Seu D’Urgell. Aproveitamos a longa viagem para descansar e apreciar a vista deslumbrante. Assim que chegámos a Barcelona, dirigimo-nos ao metro para irmos logo para o aeroporto. Depois de chegarmos ao nosso destino, voltamos a descansar um pouco até decidirmos ir almoçar. Convivemos um pouco em grupo até chegar à hora de embarcar no avião de regresso a casa. Finalmente em solo lusitano, chegou a altura da última despedida. Embora tenhamos passado pouco tempo juntos, formamos uma boa ligação entre o grupo, por isso despedimo-nos com um sorriso agridoce no rosto